{"id":7422,"date":"2021-02-11T15:30:36","date_gmt":"2021-02-11T18:30:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.dmcard.com.br\/?p=886"},"modified":"2021-02-11T15:30:36","modified_gmt":"2021-02-11T18:30:36","slug":"isabelly-dos-santos-de-cubatao-para-estudar-neurociencia-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/isabelly-dos-santos-de-cubatao-para-estudar-neurociencia-nos-eua\/","title":{"rendered":"Isabelly Ver\u00edssimo: De Cubat\u00e3o para estudar neuroci\u00eancia nos EUA"},"content":{"rendered":"<p><em>Isabelly Ver\u00edssimo \u00e9 uma das mais novas patrocinadas pela a\u00e7\u00e3o de incentivo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s realizamos. Hoje gra\u00e7as a toda a sua dedica\u00e7\u00e3o e ao apoio da DMCard ela cursa a faculdade de neuroci\u00eancia na Nova Southeastern University, na Fl\u00f3rida, Estados Unidos.<\/em><\/p>\n<p><em>Conhe\u00e7a um pouco sobre sua trajet\u00f3ria e como tudo aconteceu, nesse texto escrito pela mais nova colunista do Blog DMCard:<\/em><\/p>\n<p>Hoje, eu conheci a primeira brasileira na Nova Southeastern University. <strong>Foi um estalo para entender que isso tudo \u00e9 real.<\/strong> Se eu fosse pensar um ano e meio atr\u00e1s, nunca imaginaria estar morando na Fl\u00f3rida com uma americana e estudando numa escola de elite-estadunidense. Isso \u00e9 uma loucura, n\u00e9?<\/p>\n<p>Acho que tudo come\u00e7ou literalmente no come\u00e7o da minha vida. <strong>Eu nasci com um problema card\u00edaco grave<\/strong> e quando tinha 11 meses, passei por uma cirurgia em que <strong>meus pais tiveram que vender tudo em casa para pagar.<\/strong> Sabe quando s\u00f3 tem um colch\u00e3o e \u00e1gua na geladeira? Assim ficamos. Minha m\u00e3e sempre conta essa hist\u00f3ria falando que s\u00f3 passamos por isso porque muita gente nos ajudou.<\/p>\n<p>Para falar a verdade, <strong>eu n\u00e3o posso dizer que ser m\u00e9dica \u00e9 algo que sempre quis na vida.<\/strong> Passei o ensino fundamental querendo ser estilista e ensino m\u00e9dio quase todo querendo ser engenheira. Quando eu estava escrevendo um tipo de carta pessoal sobre o que me motiva ir \u00e0s universidades no exterior, eu lembrei do meu cardiologista e foi o momento em que eu descobri <strong>o que me inspira e \u00a0que tudo que fa\u00e7o hoje vem da minha vontade de cuidar.<\/strong> Cuidar do pr\u00f3ximo, dar um pouco do que tenho, nem que s\u00f3 tenha conhecimento e amor para oferecer.<\/p>\n<p>Como eu disse, <strong>foi nos cinco segundos do segundo tempo, que vi que a \u00e1rea da sa\u00fade era o que fazia meus olhos brilharem.<\/strong> No primeiro momento, s\u00f3 pensei: trabalho com que amo e insisto muito, ou fico com a op\u00e7\u00e3o de engenharia? Nesse ano, eu estava acabando um est\u00e1gio de inform\u00e1tica, eu era bolsista num curso pr\u00e9-vestibular para medicina, estava fazendo TCC e decidi aplicar para universidade fora. <strong>Se eu dormia? Alguns dias.<\/strong> A jornada de tentar estudar fora foi muito solit\u00e1ria, escondi de muitos at\u00e9 ser aprovada. Quem sabia, n\u00e3o acreditava de verdade que eu ia passar fora e na verdade, nem eu acreditava, mas aqui estou.<\/p>\n<p>Ademais, passei minha inf\u00e2ncia toda no U.M.E Jo\u00e3o Ramalho, uma escola municipal do meu bairro. <strong>Desde cedo, meus pais falaram que tinha que estudar muito para ser algu\u00e9m na vida.<\/strong> Com 14 anos, fui aprovada no IFSP de Cubat\u00e3o, o qual foi um divisor de \u00e1guas do que, eu creio como educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Eu sempre digo que cheguei &#8220;crua&#8221; l\u00e1. A institui\u00e7\u00e3o me moldou de um jeito que nenhum lugar vai me moldar. <strong>Eu tive contato com pessoas de todas as ra\u00e7as, classes sociais, sexualidades, g\u00eaneros e opini\u00f5es.<\/strong> O Instituto Federal de S\u00e3o Paulo fez quest\u00e3o de me formar no ensino m\u00e9dio, como t\u00e9cnica em inform\u00e1tica e o mais importante, como cidad\u00e3.<\/p>\n<p>Em 2019, eu recebi as aprova\u00e7\u00f5es em faculdades federais e estaduais brasileiras, foi a\u00ed que vi que n\u00e3o era o que queria e eu <strong>ia tentar aplicar para fora do pa\u00eds de novo se n\u00e3o fosse aceita nos Estados Unidos.<\/strong> Em fevereiro, chegou uma carta falando <em>Congratulations <\/em>(Parab\u00e9ns) e chorei com a minha aprova\u00e7\u00e3o. <strong>Dois meses depois, eu tinha 7 aprova\u00e7\u00f5es no exterior, mas n\u00e3o tinha dinheiro para ir.\u00a0<\/strong> Ent\u00e3o, sem nem os meus pais saberem, <strong>lancei uma campanha de arrecada\u00e7\u00e3o online<\/strong> e recebi muito pouco no primeiro dia. No segundo, fui parar em canais de TV e jornais, eu n\u00e3o entendo at\u00e9 hoje, mas bombou e <strong>consegui um bom dinheiro em poucos dias, mas ainda n\u00e3o era suficiente para todo o per\u00edodo do curso.<\/strong><\/p>\n<p>Uma semana depois, eu conheci a Sandra Castello, Diretora de Marketing e Pessoas da DMCard.<strong> Imagina o que \u00e9 receber uma mensagem no Instagram falando que v\u00e3o custear seus estudos?<\/strong> Incrivelmente, inacredit\u00e1vel, n\u00e9?<\/p>\n<p>Nos dias de hoje, <strong>eu tenho bolsa de m\u00e9rito<\/strong> acad\u00eamico na Nova Southeastern University e outra da DMCard, tamb\u00e9m <strong>sou a nova colunista desse blog<\/strong> e estou t\u00e3o animada. Al\u00e9m disso, <strong>sou<\/strong> <strong>diretora de parcerias do ImpactaJovem Brasil,<\/strong> uma ONG de educa\u00e7\u00e3o, a qual ajudamos pessoas a terem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade atrav\u00e9s de podcasts, aulas, materiais, divulga\u00e7\u00e3o de oportunidades e mentorias. Tamb\u00e9m <strong>sou embaixadora do Global Peace Chain<\/strong> e fui para a Turquia no ano passado para falar da educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade do nosso Brasil.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-888 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/IMG-20210209-WA0009.jpg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1200\" title=\"\"><\/p>\n<p>Em partes dif\u00edceis, a saudade e solid\u00e3o no exterior \u00e9 um sentimento constante,<strong> abdiquei muito para ser uma pessoa realizada.<\/strong> Sou &#8220;cria&#8221; de fam\u00edlia nordestina e conhe\u00e7o todas as comidas diferentes. Eu tamb\u00e9m sinto saudade de ser cai\u00e7ara e tudo ser uma desculpa para colocar o p\u00e9 na areia. <strong>O tratamento de cuidar de todos como fam\u00edlia \u00e9 algo exclusivo brasileiro e faz muita falta esse calor humano.<\/strong> Contudo, eu sou \u00a0muito realizada em ter conquistado minha independ\u00eancia e respeito acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Os momentos mais incr\u00edveis para mim s\u00e3o de jovens falando que \u00a0sou inspira\u00e7\u00e3o para eles. Nesse caso, eu sempre penso:<strong> ser\u00e1 que devo falar que favela venceu agora ou tenho que continuar lutando para n\u00e3o existir favelados e meus amigos estarem no topo comigo? <\/strong>Eu sou toda carga social que vivi e, sem d\u00favidas, a futura neurocientista e m\u00e9dica que ver\u00e3o \u00e9 reflexo de uma luta pela sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o de qualidade no Brasil.<\/p>\n<p>Eu sempre me subestimei muito academicamente, falava para mim que eu era esfor\u00e7ada e n\u00e3o inteligente. Atualmente, eu percebi que n\u00e3o importa se n\u00e3o sou inteligente, <strong>eu sou a pessoa mais persistente que eu conhe\u00e7o<\/strong> e isso basta para fazer tudo que eu quero. Eu sei que a desigualdade \u00e9 algo que n\u00f3s, brasileiros, temos e <strong>n\u00e3o podemos falar de meritocracia.<\/strong> Contudo, se voc\u00ea tem meios de fazer, persista que voc\u00ea vai longe. <strong>Quando conseguir, fa\u00e7a de tudo para facilitar o caminho para os outros que vir\u00e3o depois de voc\u00ea!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":12,"featured_media":887,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[79],"tags":[],"class_list":["post-7422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dedica-mais"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7422\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/887"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.vocedm.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}